
RESUMO
Este artigo tem como objetivo investigar o fenômeno psicológico da dissociação e apresentar a Teoria da Primodissociação como explicação para o princípio da mente consciente e inconsciente, além da psique humana. Busca-se compreender como essa primeira dissociação da Mente Consciencial ou Consciência Original pode ser entendida como um padrão subsequente e decrescente de consciência, relacionado a um mecanismo de defesa psíquica diante de experiências traumáticas e/ou percepções ameaçadoras, que gera inúmeras realidades virtuais e ilusórias identificações do eu. A pesquisa adota uma abordagem dedutiva e qualitativa, baseada em levantamento bibliográfico com foco em teorias filosóficas, neurocientíficas e psicológicas, além de uma abordagem metafísica sobre o inconsciente e o conceito de Mente Consciencial. Como principais resultados, foi possível compreender que a dissociação é uma resposta adaptativa frente a ameaças emocionais e que, embora o consciente, com cerca de 5%, represente uma pequena porção racional da psique humana, não corresponde à Consciência Original. Dado que o inconsciente, com cerca de 95%, possui papel crucial na organização mental e na percepção do consciente. Conclui-se que a Teoria da Primodissociação da Mente Consciencial oferece uma nova perspectiva para o entendimento da psique humana, propondo uma explicação integradora que combina os aspectos conscientes e inconscientes da mente, com contribuições para o estudo das psicopatologias e da natureza do verdadeiro “Eu/Self” ou da Consciência Original.
Palavras-chave: Mente. Consciência. Inconsciente. Dissociação. Psicologia.
ABSTRACT
This article aims to investigate the psychological phenomenon of dissociation and to present the Theory of Primodissociation as an explanation for the origin of the conscious and unconscious mind, as well as the human psyche. It examines how this initial dissociation of the Consciential Mind or Original Consciousness can be understood as a subsequent and decreasing pattern of consciousness, linked to a psychic defense mechanism triggered by traumatic experiences and/or threatening perceptions, thereby generating numerous virtual realities and illusory self-identifications. The research adopts a deductive and qualitative approach, based on a bibliographic review focused on philosophical, neuroscientific and psychological theories, as well as a metaphysical approach to the unconscious and the concept of the Consciential Mind. The main findings reveal that dissociation is an adaptive response to emotional threats. Furthermore, although the conscious mind, representing about 5%, constitutes only a small rational portion of the human psyche, it is not the Original Consciousness. The unconscious, accounting for approximately 95%, plays a crucial role in mental organization and in the perception of the conscious mind. The conclusion suggests that the Theory of Primodissociation of the Consciential Mind offers a new perspective for understanding the human psyche, proposing an integrative explanation that combines the conscious and unconscious aspects of the mind, contributing to the study of psychopathologies and to the exploration of the nature of the true “Self” and the Original Consciousness.
Keywords: Mind. Consciousness. Unconscious. Dissociation. Psychology.
INTRODUÇÃO
O interesse em compreender a natureza da mente e da consciência remonta aos primórdios da história de diferentes civilizações. Na Grécia Antiga, grandes pensadores como Platão e Sócrates já apresentavam suas teorias filosóficas e transcendentes. Posteriormente, no século XIX, com o surgimento da Psicologia como ciência, as teorias avançaram por meio de experimentos científicos e passaram a ter como objeto principal de estudo o comportamento humano, a partir da materialidade da mente.
O presente trabalho tem como objetivo investigar, além desse valioso aspecto físico, também o aspecto metafísico da mente e da consciência, uma vez que, segundo essa perspectiva, ambos constituem um continuum. Para isso, utiliza-se uma nova abordagem que integra esses dois aspectos, denominada Psiconsciologia, a qual introduz como objeto principal de estudo o elemento central da mente, que é a consciência, e resgata a importância da reflexão filosófica no estudo da mente humana. Tal reflexão teórico-conceitual oferece valioso material para discussões acerca de fenômenos psíquicos como a dissociação, que suscita a divisão da mente em diferentes esferas de funcionamento — consciente e inconsciente —, além de fenômenos como a Inteligência Espiritual (QS), a natureza do “Self/Eu” e demais psicopatologias.
A divisão da mente humana, amplamente discutida em diversas áreas do conhecimento, especialmente na Psicologia, é o ponto de partida fundamental tanto para compreender por que a mente humana é cerca de 95% inconsciente, como afirmam vagamente os estudos atuais, quanto para entender como o ser humano organiza suas emoções e suas percepções de si mesmo e do mundo.
A importância de investigar a natureza da mente e da consciência vai muito além da compreensão limitada do comportamento observável, pois, enquanto o consciente está ligado à percepção imediata, ao pensamento racional e à tomada de decisões, o inconsciente, em sua maior parte, permanece fora do alcance da percepção direta, em uma esfera mais metafísica, armazenando pensamentos, memórias, sentimentos e impulsos reprimidos ou esquecidos.
Portanto, a psique humana, em sua complexidade, não pode ser reduzida apenas ao que é consciente e racionalmente acessível, visto que esse aspecto representa apenas uma pequena amostra da grande maioria dos processos mentais que ocorrem de maneira inconsciente, regidos por dinâmicas que muitas vezes escapam ao controle do indivíduo, como no caso das defesas psíquicas, da repressão e dos fenômenos dissociativos.
Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo investigar o fenômeno psíquico da dissociação como mecanismo de defesa e apresentar, por meio da abordagem integrativa da Psiconsciologia, a Teoria da Primodissociação da Mente Consciencial, a qual propõe que a mente humana se dividiu de seu estado íntegro e original de consciência em esferas distintas — consciente e inconsciente — e em padrões subsequentes e decrescentes, devido a processos psicológicos instintivos de defesa. Tais processos ocorrem, principalmente, em resposta a experiências traumáticas ou percepções de ameaças emocionais que, ao serem negadas ou reprimidas, geram novas realidades psíquicas virtuais e ilusórias identificações do eu, ou estados de consciência psíquica.
Essas realidades psíquicas virtuais e ilusórias identificações do eu, embora criadas como mecanismos de proteção, podem ser dissociadas da Realidade Original do indivíduo, obscurecendo sua consciência de si mesmo e do mundo. Contudo, não de maneira completa e definitiva, já que essa memória, contendo uma energia psíquica latente, retorna de forma inconsciente por meio de associações psíquicas personalizadas, como meio de manter, ainda que de forma distorcida, uma ligação representativa anterior.
Esta teoria propõe, portanto, que a mente humana, em seu estado mais profundo, está em constante busca de reconciliação com o que pode ser denominado Mente Consciencial, um estado de integridade de consciência que reflete o verdadeiro Eu do indivíduo, livre das distorções e divisões criadas pela Primodissociação e mantenedor de toda a inteligência do Ser (QS).
Assim, por meio da abordagem integrativa da Psiconsciologia e de uma metodologia dedutiva e qualitativa, este artigo busca não apenas explorar o fenômeno psicológico e instintivo da dissociação e suas implicações psicopatológicas, mas também refletir sobre sua inferência. Dado que, se retrocedermos todas essas inúmeras dissociações involuntárias que a mente realiza, em algum momento, necessariamente, deve ter ocorrido a primeira dissociação (Primodissociação), que gerou uma desconexão da Realidade Original, refletindo na formação de uma nova realidade virtual e na perda de memória ou, mais precisamente, de consciência — a mente humana. Busca-se, ainda, refletir sobre como a integração entre o consciente e o inconsciente, bem como entre o físico e o metafísico, pode trazer novas contribuições para o campo clínico da mente humana, para a compreensão do Self e para a natureza da mente e da consciência.
